Resolvi escrever este post agora , pois acabo de ler este livro, que veio muito de encontro a meu momento pessoal.
Neste livro encontrei respostas para tantas perguntas que tenho me feito, após a morte de minha mãe.
Até ia me arriscar em uma resenha, mas vi que não tenho talento algum para isso. Então resolvi transcrever a resenha que me levou a ler este livro.
É do blog "No mundo dos livros"
Laurel nunca pôde voar, e nunca se sentiu tão brilhante quanto a irmã. E de certa forma Laurelsempre viveu à sombra da irmã, sempre cautelosa, observando como a irmã era linda e tinha tanta sede de viver. Até que ela morreu. Laurel também tem que enfrentar a separação dos pais, e isso a despedaça ainda mais. Mas a pergunta que mais a atormenta é: por que sua irmã a deixou?
Laurel se muda de escola para evitar que qualquer pessoa que a conheça possa demonstrar sua piedade e compadecimento com a morte da irmã, assim podendo começar uma "nova vida". Mas não é bem assim. A garota se sente perdida, não tem amigos, e tem uma família desestruturada. Eu realmente fiquei com o coração aos pedaços logo no começo do livro.
É na aula de inglês que Laurel recebe uma tarefa: escrever uma carta para alguém que morreu. Logo a garota escolhe Kurt Cobain para escrever sua carta, pois a irmã o adorava, mas acaba sendo um desabafo tão intenso que ela não tem coragem de entregar a tarefa. E o que era uma lição acabou virando um verdadeiro diário em forma de cartas que escreve ao longo dos meses para diversas personalidades que morreram.
Então Laurel conhece Natalie e Hannah, duas garotas bonitas que sabem o que é ser diferente, e a aceitam apesar de seus segredos e seu jeito retraído. Ela também se apaixona por um rapaz enigmático chamado Sky.
Quando olho para Sky lembro que o ar não é apenas algo que existe, mas que se respira. Mesmo que esteja do outro lado do pátio, consigo ver o peito dele se movendo. Não sei porque, mas, neste lugar cheio de desconhecidos, fico feliz que Sky e eu estejamos respirando o mesmo ar. O mesmo ar que você respirou. O mesmo ar que May respirou. Laurel, em sua primeira carta para Kurt.
Mas nunca, jamais, consegue em um minuto sequer, parar de pensar na partida da irmã.
Eu comecei a ler o livro e logo nas primeiras 50 páginas já estava o amando. O modo como Ava Dellaira escreve é tão bonito que não consegui parar de ler. Senti como se lesse poesia, e vi um livro pulsando em minhas mãos, cheio de vida. Não consegui não me emocionar. Não consegui não sentir. Eu até tentei, mas me vi apaixonada por sua escrita. Vi no decorrer de todo o livroLaurel abrindo seu coração, transcrevendo seus sentimentos, e soltando suas emoções para o papel de forma tão verdadeira e intensa que o livro ao seu todo é tocante, sensível e muito bonito.
O que achei muito bom é que Laurel escreve para a personalidade que mais se relaciona com o que ela está passando, sentindo ou recordando no momento. Em muitas cartas vemos suas confissões para Kurt Cobain, Judy Garland, River Phoenix, Amelia Earhart, Amy Winehouse entre outros. E um ponto importante é que não apenas desabafa, mas também nos mostra facetas e nuances de cada personalidade que talvez nem conheçamos. Eu gostei de que, enquanto ela escrevia o que sentia, também conversava com a personalidade, nos mostrando não apenas o lado artístico, mas o lado humano e real. Os sofrimentos, as dificuldades. Eu mesma não sabia nada sobre a infância de Judy Garland, por exemplo, mas agora entendo melhor cada uma das pessoas com quem ela "conversou" em suas cartas. Também me senti emocionada com a relação que cada um tem ou teve para os sentimentos de Laurel, e o que ela vive ou viveu.
Tem coisas que não posso contar para ninguém além das pessoas que já não estão mais aqui.
Um outro ponto forte do livro é que ele é muito "musical". Ao decorrer da história vi muitas músicas mencionadas, e eu escutei todas. Cada uma tem uma importância para alguns personagens, e uma ligação com momentos, lembranças ou sentimentos. Principalmente para Laurel. E foi muito gostoso ler e ir descobrindo novas músicas ou as relembrando, e ir as ouvindo enquanto lia.
Eu amei cada personagem. E ainda amo! Amo Sky (suspira) que é tão inseguro e sofrido quanto a própria Laurel. O caro imperfeito perfeito. Amo Hannah, com seus cabelos ruivos e sua vivacidade. Sinto vontade de protegê-la. Amo Natalie, para qual eu torço que consiga conquistar seu grande amor. Amo o pai de Laurel que não fugiu. Amo Tristan e Kristen, também amigos deLaurel, que formam um casal tão lindo, que em algum momento terão que tomar uma decisão. Amo cada um deles como se fossem meus amigos. E amo Laurel, a quem aprendi a admirar. A quem eu aprendi a entender. Amo seus sentimentos e sua intensidade. Amo cada um de seus defeitos.
E conforme vamos conhecendo melhor Laurel através de suas cartas, vemos o quanto ela vai mudando, crescendo, amadurecendo... e vai se libertando. Se libertando de seus medos, seus pensamentos, seu passado. Não somente Laurel, mas todos os personagens de alguma forma amadurecem, aprendem e se libertam de seus medos e problemas. Eu achei lindo o modo como toda a história foi crescendo, até um ponto em que explode como uma estrela surgindo entre uma vasta constelação.
- O universo é maior do que qualquer coisa que cabe na sua cabeça. - disse May para Laurel. Cada um de nós, cada personagem é um universo. Com seus segredos e pensamentos, dores e alegrias. Um universo, belo e desconhecido.
Esta relação de amor das irmãs me deixou comovida, pois Laurel amava (ama) tanto May que, sem nem perceber, queria ser como ela. Até que ela entende que precisa ser ela mesma. E que se quer que a conheçam, ela precisa mostrar quem é. O livro também aborda alguns temas polêmicos, e mostra que sempre a melhor alternativa é falar.
Gostaria que você me dissesse onde está e por que foi embora. Você era o músico favorito da minha irmã, May. Desde que ela morreu, tem sido difícil ser eu mesma, porque não sei exatamente quem eu sou. Laurel, em sua primeira carta para Kurt.
Cartas de Amor aos Mortos não é apenas mais um drama. É um livro que mostra todas as formas de amor, da forma mais pura e sincera. É um livro doído, intenso e verdadeiro, pelo qual me apaixonei. É um livro de sentimentos e descobertas. Se posso dizer algo, com toda certeza, é de que recomendo o livro, e gostaria que todos pudessem ler."
Beijos,
Livy

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